Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Parágrafos

Estratégias de apropriação do espaço

Parkour A prática consiste na exploração das habilidades e capacidades do corpo humano para transpor da forma mais rápida e eficiente quaisquer obstáculos que se encontrem num dado percurso, daí o nome (originalmente 'parcours' em francês). Os adeptos desse tipo de estratégia passam por longos treinamentos para que possam desempenhar com maestria todos os movimentos que necessitem. O fascínio gerado pela atividade deriva da intensidade com que tudo acontece e da aparente irreverência dos praticantes. O espaço torna-se parte do trajeto e não mais é um obstáculo propriamente dito. Na aula, a exibição do comercial da BBC onde um tracer sai do trabalho e chega em casa através do parkour infinitamente mais rápido do que teria se tivesse ido de maneira convencional demonstra a importância de se questionar imposições espaciais e convenções daquilo que se pode ou não nos lugares. Deriva Consiste em derivar – como um barco n'água – pela cidade abstraindo de qualquer necessid...

Sobre o seminário de Design de Interação

  As obras escolhidas pelo meu grupo foram "Boundary Functions", de Scott Snibbe e "Infinite Cubed" de Cantoni e Crescenti. A obra Boundary Functions consiste de uma base no solo onde são projetadas através de cálculos diversos – especialmente diagramas Voronoi – fronteiras/barreiras/linhas entre as pessoas que estão no campo de abrangência. A obra é interativa na medida em que não funciona com apenas uma pessoa e também por estimular o ingresso e exploração por várias pessoas ao mesmo tempo. A interface (mais) reativa da instalação se mostra extremamente rica na interação dialógica que produz e permite observar a boa execução de um projeto desse tipo, onde há referências prefigurativas, mas seu uso consolida algo que vai além.    Por outro lado, a obra Infinite Cubed, ou "Infinito ao cubo", demonstra muitas falhas na criação de uma verdadeira qualidade de interatividade. O cubo de paredes espelhadas que oscila em seus eixos é interessante...

Pergunta do grupo

"Até que ponto o digital é um facilitador na construção de uma virtualidade?"   O questionamento posto pelo grupo tem intensão de levantar suspeitas acerca dos limites aplicáveis à digitalização do mundo e de seus processos se levada em conta a ótica da virtualização. A virtualidade, enquanto abertura ao processo e desenvolvimento quase espontâneo do estado de devir ou latência das possíveis criações humanas é uma qualidade desejável em muitos processos de concepção pelos quais a construção da realidade passa todos os dias. Se o digital tem potencial de auxílio nesse âmbito, é preciso questionar a extensão desse potencial. O grupo baseou-se na experiência comum de assistir um episódio da série "Black Mirror", onde a mente de uma usuária é "copiada" e dela é feita uma "escrava digital" que conhece cada detalhe da mente original e, portanto, é 100% eficaz em realizar tudo aquilo que ocorre ao redor da "humana" verdadeira. Nessa situa...

Roupa & Arquitetura II

  Questões voltadas para a expressividade de cada um dos dois elementos foram o objeto central de análise e discussão na conversa. Qual a relação do dinheiro/poder aquisitivo com a capacidade de se expressar através da roupa? E da arquitetura? Qual o papel da moda no mundo das roupas e da arquitetura? Diversos questionamentos similares foram levantados e discutidos. A arquitetura pode, enfim, ser concebida enquanto "experiência completa", nisso pode consistir a diferença entre ela e a roupa. A diferença óbvia, evidente e inerente à existência dos dois não deixa, contudo, de existir.

Sobre "Um Lugar ao Sol"

  O documentário retrata a vida e a visão de influentes personalidades que moram em coberturas. A crítica maior fica por conta da total falta de realismo por parte das pessoas que foram retratadas. Comentários como "existem, na sociedade, pessoas que andam de FIAT" – com total sarcasmo – e "as balas deixam um rastro, parecem fogos de artifício" – sem ironia alguma – mostram a completa falta de empatia e praticamente a impossibilidade da existência dessa entre os entrevistados e o "resto do mundo". A noção doentia de que, por estarem "isolados" acima de todos os outros, essas pessoas não integram a sociedade é altamente danosa e prejudicial, pois essas são pessoas influentes que, completamente à parte da realidade, controlam e alteram a vida das massas, ou, minimamente, de alguns grupos. Enquanto produto da arquitetura, o isolamento e o distanciamento têm de ser pesados em quaisquer projetos a serem idealizados ou realizados. A discrepância entre...

Espaço Real & Espaço Virtual

A noção de que habitamos o mundo real e de que o mundo virtual é de alguma forma "menos" ou "menor" é amplamente difundida e aceita, contudo pode ser facilmente questionada. A contemporaneidade, tecnológica, demonstra que o mundo virtual pode não estar tão distante assim de se equiparar à realidade. Sensações, sentidos e até mesmo o acaso podem ser representados no mundo virtual, então o que é que prova que não estamos, nós, no mundo virtual? No debate, levantou-se o argumento da 'energia vital', prana, que distingue em última instância o real do virtual. Creio nesse argumento, a perfeição da representação do real não pode ser senão o próprio real. O plano virtual, se considerado desprovido de princípio vital, não será, nunca, a realidade. Não obstante, constatar a multiplicidade de pessoas e seu consequente espectro de reatividade e sensibilidade à referida energia da vida é necessário. Muitos de nós têm pouca percepção desse tipo de nuance e não distingue ...

Potencial de Mudança na Concepção e Vivência dos Espaços

A forma de pensar a arquitetura sempre foi resultado de uma série de interações entre elementos contextuais. Em períodos históricos diferentes, as necessidades, os interesses e as técnicas distintos ou preferidos moldaram os estilos arquitetônicos e construtivos correspondentes. Na história recente, a disponibilidade e diversidade de recursos tornaram-se, também, influenciadoras no processo conceptivo da arquitetura. Dessa forma, o advento de tecnologias algorítmicas, produtivas e até criativas nos dois últimos séculos permitiu – e passa diariamente a permitir ainda mais – transformações radicais no pensamento arquitetônico. A concepção de novos espaços conversa, hoje, com todo tipo de inovação e a avaliação de novos conceitos enquanto eixos desse processo é, evidentemente, fomentadora de mudança nessa concepção. A parametrização, a prototipagem rápida e a fabricação digital são novos recursos que possibilitam uma arquitetura correspondente ao nosso período histórico, as técnicas e os ...

Roupa & Arquitetura

   Roupa e Arquitetura são, palpavel- e evidentemente coisas diferentes; no plano da realidade material, os dois são distintos. Apesar disso, com pouca reflexão é possível perceber a grande semelhança existente entre os dois conceitos. Se forem descritas apenas as funções, definições e características desses elementos: abrigar, proteger, delimitar espaços/privacidade, expressar ideias, sentimentos, individualidades, etc, é correto dizer que, certamente, podem ser atribuídas a ambos. É impossível definir se, nessas condições de descrição, trata-se exclusivamente de apenas um e/ou de qual dos dois. Da mesma forma, tanto um quanto o outro seguem tendências estilísticas, estéticas e sociais que alteram-se na cronologia da história e que são, também, fortemente influídos pelas condições ambientais, climáticas e pessoais às quais estão submetidos. Similarmente, tentar diferenciar os dois tópicos pela situação de seu advento ou por seu desenvolvimento histórico é ineficiente. Poderi...

Sobre "Animação Cultural", de Vilém Flusser

  O texto "Animação Cultural", de Vilém Flusser, trata da condição humana pela ótica da objetividade, que, no texto, ganha conotação diferente da comumente empregada. De impacto inicial é a noção inovadora, para mim, de que o Homem é objeto antes de ser animal, ou de que, minimamente, na nossa cultura, o Homem posiciona-se, quase inconscientemente, como objeto. Ao mencionar o "mito fundador" da civilização ocidental contemporânea – trata-se, de forma discreta, da narrativa da criação do Homem segundo o livro do Gênesis, na Bíblia – o autor parte de um ponto de vista incomum para tornar notório o teor objetivo impresso na figura humana por nós mesmos. Ainda mais fascinante é a constatação subliminar da fragilidade da nossa mente, que insiste em acreditar no controle absoluto que supostamente exercemos sobre os objetos e a natureza que nos cercam. Mais adiante, o texto explora a "revolução" orquestrada pelos objetos, que têm por interesse maior controlar a ...